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22/07/2010 - POLICIA CHEGA, PELA PRIMEIRA VEZ, A RECEPTADORES DE CIGARROS ROUBADOS

RIO - O titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), Deoclécio Assis, afirmou que, com a operação realizada nesta quarta-feira contra o roubo de cargas de cigarros, a polícia chegou, pela primeira vez, a empresários que compravam o produto roubado. Ele calculou um prejuízo de R$ 2,8 milhões às empresas de cigarros, em 35 assaltos feitos pelos bandidos nos últimos oito meses. A quadrilha desarticulada atuava em três níveis: empresários, que compravam o carregamento; atravessadores e os ladrões que faziam os assaltos. Dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça, a polícia conseguiu cumprir oito.
Os primeiros a serem presos foram os irmãos e empresários Leonardo e Marcelo Moraes Rocha, em Vargem Grande. Segundo a polícia, eles comprariam a carga roubada pela metade do preço e a revendiam a preço de mercado. Os dois são sócios das empresas LMD&M Logística e Distribuição LTDA e Empório Rodoviária de Araruama LTDA.
Ex-policial civil atuava como atravessador do bando
Entre os comerciantes e os bandidos que faziam os roubos, havia atravessadores como o ex-policial civil Luiz Henrique Medeiros e Moisés Alves Fontela, também presos. Medeiros foi expulso da corporação em 99 por receptação de carga roubado. Glauco Amaral e Varedir Ventura da Silva, apontados pela polícia como integrantes do grupo, são dos morros da Pedreira e da Lagartixa, em Costa Barros.
Segundo o delegado, as investigações duraram seis meses e começaram desde que dois ladrões de cargas foram presos em flagrante, no dia 10 de fevereiro deste ano. Com autorização judicial, a polícia conseguiu interceptar alguns telefonemas da quadrilha, levantando os nomes de pelos menos 18 integrantes. Além da negociação de carga roubada, a polícia conseguiu descobrir o envolvimento de traficantes que cediam mão de obra e armas para o bando.
O delegado explicou que uma das principais preocupações do bando era com o rastreamento dos veículos de onde a carga era roubada. Por isso, a quadrilha mantinha um especialista em bloquear o sinal dos caminhões, a fim de evitar que a polícia chegasse aos bandidos.
Na operação foram apreendidas duas espingardas, uma pistola, computadores, munições, pacotes de cigarros e certa quantia em dinheiro. Além dos 12 mandados de prisão, a polícia cumpriu oito mandados de busca e apreensão nas casas dos envolvidos e nas empresas. Segundo Deoclécio, os bandidos vão responder por três crimes: roubo, receptação e formação de quadrilha.

FONTE :O GLOBO