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15/05/2006 - O desafio da Supply Chain com risco controlado e menor custo
Na última década, os profissionais de logística que atuam na constante inovação dos métodos de gestão da Supply Chain têm percebido a necessidade de se capacitarem em logística com ênfase em contenção de perdas. Esta demanda ganhou força com a conscientização das empresas para os aspectos da competitividade. Mas, como ser competitivo considerando que a demanda de medidas de gerenciamento de riscos, por si, agregam mais custos ao negócio? Os profissionais de logística de distribuição tinham de encontrar a resposta para tantas variáveis, pois o negócio que gerenciavam carecia de uma revisão em busca de uma maior eficiência. O maior sinalizador foi o pouco interesse da indústria do seguro para o tipo de produto distribuído. A sinistralidade do mercado era maior do que os nossos índices e influenciavam nossas negociações. As taxas securitárias refletiam em nossos custos de produção.
Os controles operacionais sobre os nossos fornecedores de transportes não se traduziam numa maior certeza quanto às possíveis causas que acarretavam a redução de eficiência de entregas ou numa detecção dos fatores que concorriam para as perdas parciais ou totais dos nossos produtos. Questões vinculadas aos acidentes ou os problemas que afetavam a qualidade das embalagens e do produto não encontravam bases para discussão, pois não havia meios de qualificá-las. Negociamos a transferência do risco para a apólice de seguros sem desenvolvermos um projeto e adotarmos medidas conscientes e capazes de provar sua eficácia. Buscamos conhecer as especialidades da indústria do gerenciamento de riscos e nos deparamos com uma realidade preocupante: uma outra realidade em termos de gestão de negócios ou mesmo quanto à estruturação e preparo de algumas empresas para atender o mercado em franca expansão, com alguns modelos empíricos e pouco convincentes quanto à manutenção da segurança ou efetiva gestão de riscos.
Não encontramos nos fornecedores a vocação de trabalhar com análises quantitativas e qualitativas, tendo como produto os fatores de riscos – o principal foco do negócio de gerenciamento de riscos. As propostas acentuaram-se na “venda” dos serviços de escolta ou rastreamento, sem compromisso com metas de controle e redução de problemas. Em alguns casos geramos um problema maior, já que a logística de transporte era assunto de pouco domínio. Alguns com forte relação contratual com a indústria do transporte demonstraram a baixa eficiência em desenvolver serviços condizentes com a cultura ou necessidades da indústria de manufatura.
Foi notável a preocupação do fornecedor de gerenciamento de riscos com as questões ligadas à corretagem do seguro. Vimos certa confusão de identidade própria, quer por haver na sua corporação uma razão social com esse objetivo ou por haver uma estreita ligação com a indústria da corretagem e do seguro. Assumimos o risco de desenvolver um fornecedor de gerenciamento de riscos e fomos identificando quais as empresas melhores estruturadas quanto às competências de pessoal, estrutura organizacional com foco em processos, infra-estrutura, tecnologia e capacidade de rápida revisão de modelos operacionais para continuidade de negócios e também a capacidade de assumir riscos contratuais, assumir desafios.
O gerenciador de riscos ideal tem um projeto ajustado às nossas necessidades e capacidade de absorção de custos. Analisamos as recomendações e serviços tidos como necessários para contenção de perdas com os mesmos critérios pelos quais se analisa um plano de negócios. Desafiamos o fornecedor a absorver a cultura de gestão difundida em nossa organização e o transformamos num parceiro, aliando seu expertise à nossa política corporativa. Quebramos alguns paradigmas; a começar por aquele já bem propagado, que diz: “a segurança eficaz não deve ser percebida”. Para nós, ela não só deve ser percebida quanto tem a obrigação de demonstrar sua existência. Quebramos ainda o conceito de que “o gerenciamento de riscos não pode interferir na logística do transporte”.
O gerenciamento de riscos deve interferir no transporte quando essa “interferência” for para alertar pontos de perdas de eficiência, permitindo-se oferecer informações rápidas para revitalizar os modelos de transporte e elevar os aspectos da eficiência de entrega do produto no menor prazo, com maior qualidade e menor risco.
A indústria do gerenciamento de risco, por não ser “convidada” a participar do processo operacional de forma produtiva, tendo como foco a eficiência logística, é colocada na condição de uma espécie de “quarto setor” da Supply Chain e funciona apenas de forma acessória. Ela fica à margem das decisões e não se sente na obrigação de contribuir para constantes melhorias em busca da competitividade. Essa postura é parte de nossa responsabilidade, que não buscamos fornecedores com características de integrar-se na Supply Chain com objetivos declarados e vocação de enfrentar desafios a cada período contratual.
Newton Cardoso, consultor de gerenciamento de Supply Chain e diretor da NCR Serviços Avançados. newton.cardoso@ncr.srv.br